

A idéia de que as sociedades tendem a evoluir com o passar do tempo pode estar equivocada? Pode o homem se distanciar de seus propósitos mais nobres em troca de uma vida fútil? Seria possível, depois de uma longa caminhada, ao percebermos que o caminho foi equivocado, retornar ao ponto de origem e corrigir a trajetória?
O ser humano organiza sua vida e a partir de sua vida planeja e implementa o modelo de sociedade que deseja deixar para as próximas gerações. Cada nova geração determina suas novas necessidades e em face destas adapta sua vida e a partir da adaptação de sua vida, reorganiza a sociedade, deixando um novo modelo de sociedade aos que virão. A curto prazo é muito difícil avaliar se houve uma evolução neste novo modelo adotado, mas, ao observarmos um período maior da história da Humanidade, tornam-se nítidas as áreas em que a sociedade evoluiu e as áreas em que a sociedade retrocedeu.
Podemos afirmar que as relações humanas mudaram drasticamente no ultimo século. As pessoas tornaram-se frias e egoístas, passaram a valorizar o status social acima de sua própria essência. O homem deixou de ter seu valor por si só e passou a ser valorizado pelo que possui. Um tolo bem vestido, com posses e títulos de nobreza se destaca em meio à multidão,é alçado ao patamar de suas riquezas e todos os seus deméritos são imediatamente esquecidos.
Ao afirmar que a sociedade precisa mudar estes conceitos e com isto mudar sua forma de ver e classificar o próprio homem estamos esquecendo que fazemos parte desta sociedade que estamos criticando. As mudanças devem começar no caráter individual e repercutir no coletivo, alterando desta forma a sociedade, de dentro para fora.
Precisamos ensinar nossos filhos a valorizar o homem pelo homem, devemos começar mostrando-lhes o caminho, passando nós mesmos por uma mudança de postura com relação ao ser humano.
O passado é imutável, mas o futuro pertence a nós. Não podemos apagar os passos errados da humanidade em busca de seu modelo ideal de sociedade, mas podemos corrigir a direção de nosso navegar impreciso tantas vezes quantas forem necessárias até que tenhamos uma sociedade digna, justa e fraterna. A raiz das mudanças está em nós mesmos, basta ter força de vontade e poderemos deixar aos nossos descendentes um legado melhor que o que recebemos.
Quatro anos! Era o seu aniversário de quatro anos e ele já se deparava com um problema de dimensões colossais, pelo menos, para ele, diante de seus incríveis quatro anos completados na última quarta-feira cuja festa estava sendo realizada no sábado.
A festa transcorrera normalmente, com todos os ritos de praxe, passando por beijos babados das tias, abraços de quebrar os ossos, dos tios e os incontáveis “Nossa, como ele cresceu!”, “Já é um homenzinho!”, “Logo, logo já vai estar namorando!”.
Agora que todos já se foram, chegou a melhor parte: abrir os presentes, e olha que eram muitos e é aí que chegamos ao grande problema. Qual presente abrir primeiro? Ele sabia que seus pais estavam filmando e que com certeza o filme seria mostrado para todos os tios, tias, avós e demais parentes que estiveram presentes na festa.
O pai pergunta, de câmera na mão, apontando direto para seu rosto:
— E então Henrique, de quem será o primeiro presente que você quer abrir?
Nervoso, como que procurando uma resposta simples no meio dos pacotes amontoados na sala, ele percorria o “canto dos presentes” com os olhos, já demonstrando uma certa aflição. Sentia na lente voltada para seu rosto o olhar de cada parente que com certeza irá ver a fita constatar que o pequeno havia deixado seu pacote para o final e se entristecer, ou pior, em um próximo aniversário trazer “só um beijo e um abraço bem grandão” como o tio André.
O pai, já impaciente dizia:
— Vamos logo Henrique, por que não escolhe logo o presente que o papai lhe comprou?
Henrique pensava como se o pai pudesse ouvir “Porque se eu fizer isto, a mamãe, vai ficar triste, ela disse que o presente dela era mais legal que o do papai…”, a dúvida lhe corroia e ele já não sabia mais o que fazer, quando de repente sentiu algo novo, uma faísca que iluminou sua mente. Declarou decidido:
— Os presentes estão tão bonitos assim, que não vou abrir. A gente coloca no meu quarto e deixamos assim. Vão enfeitar meu quarto!
O pai disse que o menino estava ficando louco. A mãe queria já abrir os presentes ela mesma para não estragar a filmagem e a aflição de Henrique só aumentava.
Neste momento entra em cena um anjo. Vamos imaginar uma cena daquelas de cinema, em que todos se congelam e um anjo surge. A avó de Henrique pede um momento, pede para desligar a filmadora, pega o menino pela mão e o leva para o quarto, para conversar com ele um momento.
Henrique, sentindo-se à vontade, pois a avó era a pessoa em quem ele mais confiava e sem a lente da filmadora voltada para ele, contou seu problema. A avó, com ternura própria apenas às avós, disse:
— Diga a eles que não quer abrir os presentes na frente da câmera, que quer abrir os presentes sem ser filmado para não ser injusto com ninguém e que depois quer ser filmado no meio de todos os presentes, para que todos saibam o carinho com o qual foram recebidos!
E assim foi feita, a grande decisão tomada, o primeiro grande problema de sua vida resolvido!
Ah… seria muito mais simples a vida se no nosso dia-a-dia tivéssemos sempre uma avó com sua sabedoria e uma boa dose de carinho para resolvermos todos os problemas na hora que fossem surgindo…
Desde o início dos tempos alguns homens se destacam em meio à chusma tal qual o diamante se distingue do carbono. A que devemos tal destaque? O que diferencia néscios e gênios em todas as áreas do conhecimento humano?
Não há um único ser humano para o qual não seja apresentada no dia-a-dia a proposta de entregar-se ao niilismo. Os que aceitam esta gentil oferta poderão desfrutar de uma tranqüila existência, sem sobressaltos, sem desafios, vivendo tranquilamente na sua zona de conforto. Se por um lado esta simples propositura nos parece carregada de vantagens, por outro devemos nos ater por alguns instantes e analisar com olhos de cientistas, colocando sob o microscópio as benesses alcançadas.
As “zonas de conforto” nos levam rapidamente ao comodismo e este nos tira o principal diferencial frente às outras espécies, que é o poder de raciocínio, colocando-nos progressivamente em meio à turba dos ineptos. Sem destaque, sem projeção, com uma vaga garantida no anonimato, ansiando apenas e tão somente que nada se altere e que possamos continuar nosso movimento inercial, não atingiremos nada além do que já nos é contemplado em nossa inaptidão velada.
Por outro lado, temos os homens que se desviam da simples aceitação do que aí está e não se acomodam aceitando a vida sem desafios. Se há uma montanha a ser transposta, por que viver na planície? Vão ao cume da montanha e de lá vêem outro vale e além deste vale outra montanha e assim sucessivamente vão gerando seu “moto-continuo” de autoconfiança levando-os a novos desafios. Estes são os gênios.
Devemos esclarecer que os gênios não são apenas os sábios dignificados por seu renomado conhecimento cientifico, gênios são seres humanos dotados de inquietação desmedida, curiosidade inata e força de vontade inabalável, logo, não se contentam enquanto não atingem o topo da montanha.
O mundo precisa de gênios. Existem infinitas montanhas a serem galgadas em todas as áreas de nossa vida a espera de alguém que se predisponha a aceitar o desafio. Alguém se habilita?
“50 anos em 5?. Era o slogan de Campanha à Presidência de Juscelino Kubitscheck, este slogan representava o desenvolvimento que o Brasil teria sob a condução do político. Este slogan de caráter tão ambicioso nos dias de hoje teria pouco efeito, pois vivemos uma realidade em que a informação e o progresso contínuo se incorporaram de tal forma ao nosso dia-a-dia que não é de se duvidar que tenhamos um mundo tão diferente do atual em 2025 quanto era o mundo de 1900 para os dias atuais.
A Informação pode ser considerada como a principal alavanca deste processo evolutivo tão acelerado e como mola propulsora desta explosão evolutiva temos a Internet. Consideremos a Internet como vemos hoje, através de nossos computadores ou através de toda gama de dispositivos que serão introduzidos (já estão sendo) no objetos comuns de nosso cotidiano. A Internet embarcada em dispositivos como o automóvel, o celular, a televisão e até mesmo nos eletrodomésticos.
Teremos serviços que poderão ser prestados através de Internet, como a emissão de certidões eletrônicas de forma quase que instantânea, nos libertando de filas e da espera, teremos centros de diagnóstico que poderão realizar exames em pacientes remotamente e até mesmo indicar um remédio à distância, bibliotecas e museus que poderão ser visitados em instantes, sem sair do seu confortável lar informatizado.
Nem todas as mudanças são ou serão aceitas, e isto é comum, há quem prefira o sabor de acariciar um bom livro à praticidade de visualizá-lo na tela de seu computador ou Palm, assim como não se pode comparar a experiência de visitar um museu à visualização de suas obras no computador, podemos apenas nos encantar com a disponibilidade da informação mais acessível à quem não poderia visitar o museu.
Em uma sociedade capitalista por essência, obviamente a Informação, que a cada dia se torna um bem mais precioso, não estaria imune ao contágio pela obsessão por dinheiro e poder. Entretanto, devemos observar que este não é um fenômeno restrito aos tempos atuais, pois sempre houve o capitalismo e sempre existiram privilegiados com mais acesso à bens do que outros. Não seria errado afirmar que a Internet ainda é um amontoado de conteúdo inútil misturado a informações valiosas sem distinção clara entre ambos os tipos de informação, mas cabe a nós diferenciar o que é interessante do que não será útil, assim como sempre o fizemos quer seja na escolha de um programa de TV ou na escolha de um bom livro. Cabe ao ser humano, através de seu livre arbítrio decidir quanto e como vai querer desfrutar desta nova estrutura de informações.
Pode-se questionar a utilidade deste avanço todo das novas tecnologias, mas não se pode discordar de que elas mudarão o mundo, revolucionarão nossas vidas e se bem aplicadas podem nos levar a um novo modelo de sociedade. Se este novo modelo de sociedade será melhor e mais justa, cabe ao futuro dizer.
Doce vida corre em minhas veias.
Já não me sinto um farrapo, trapo, destrato do destino,
me sinto como menino que sem perceber se descobre com novas idéias.
idéias renovadas fazem renascer em mim o menino.
Se um sopro noturno tivesse o poder de mudar-me o rumo
ah, quanto desta vida doce, suave e destilada eu ainda me daria.
O menino solto e leve, entregue entre a tormenta e a calmaria.
Cão solto, feliz e sem dono.
Coração aberto, peito exposto, sentidos ativos,
vida pulsando, sabores e cores se misturando numa grande explosão.
Toda a vida resumida a cabeça e coração.
Não me importa saber que sensações são nada,
mergulho fundo, consciente e inconseqüente,
sentindo em minhas veias pulsar a Doce vida.
[Fragmentos de Idéias - 2003]
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